Vandalismo nas manifestações

O vandalismo se tornou coisa comum nas últimas manifestações populares. De junho do último ano para cá, a maioria das manifestações acabou em confusão, normalmente com depredação de patrimônio alheio, saques e pessoas feridas. Isto porque algumas pessoas se juntam à massa com o objetivo principal de praticar atos de vandalismo, provocando confronto com a polícia e destruindo pontos de ônibus, lojas, carros, enfim, tudo que encontram pela frente.

O resultado desses atos de vandalismo, além de feridos, destruição e muito prejuízo, é a diminuição do número de pessoas nas manifestações. O protesto nas ruas foi o jeito que o povo escolheu para dizer que quer mudanças. As pessoas decidiram protestar porque não aguentavam mais a corrupção e o descaso dos políticos com o povo, principalmente nas áreas de saúde, educação e transporte público. No entanto, o vandalismo vem minguando as manifestações com o passar do tempo. No começo dos protestos populares, as ruas das principais cidades do país ficavam lotadas com milhares e até centenas de milhares de pessoas. Hoje, apesar de não ter havido qualquer mudança significativa nos temas centrais que provocaram os protestos, as manifestações não chegam nem perto do número de pessoas que tinham em junho passado. E um dos motivos para as pessoas não irem mais aos protestos é o vandalismo praticado por alguns. O cidadão comum, que lotou as ruas no começo do movimento de cobrança popular, tem medo de se ver em uma situação de perigo que possa colocar em risco sua integridade física. Mais que isso, ele não quer participar de uma manifestação que pode se transformar em uma guerra, com atos de vandalismo com o propósito de destruir sua própria cidade. O cidadão comum não concorda e não quer violência.

Apesar de algumas pessoas que praticam atos de vandalismo nas manifestações acreditarem que estão representando o povo e lutando por mudanças que beneficiariam a todos, principalmente a camada mais pobre da sociedade, não estão. O povo hoje repete para os vândalos o que era bradado no inicio dos protestos populares para os políticos: você não me representa. Quem pratica ato de vandalismo não representa o povo e isso fica óbvio com um simples passeio pela rua, conversando com pessoas das mais diferentes classes sociais. Em pesquisa recente do Datafolha realizada no Rio de Janeiro e divulgada pela “Folha de São Paulo”, 95% do total de entrevistados disseram ser contrários ao vandalismo. A imensa maioria da população repudia a depredação de patrimônio publico e privado e não aguenta mais este quebra-quebra em sua cidade. E a indignação de todos só aumentou com a morte de um legitimo representante do povo em meio a um ato de vandalismo. Santiago Andrade, o cinegrafista da Band que teve sua vida abreviada por um rojão que acertou sua cabeça enquanto trabalhava cobrindo uma manifestação pública, sim era um representante verdadeiro do povo brasileiro. Uma pessoa comum que estava apenas tentando ganhar o pão de cada dia, como tantos outros no centro do Rio, quando aconteceu a terrível tragédia.

Infelizmente, uma tragédia anunciada. Com o aumento do vandalismo nas manifestações era bastante previsível que, mais cedo ou mais tarde, iria acontecer algo deste tipo. E aconteceu, aumentando ainda mais a indignação do povo com a depredação da cidade que vem ocorrendo em quase toda manifestação e com quem a causa. A consequência disso em relação aos protestos é que, possivelmente, este fato tornará as manifestações populares cada vez mais vazias, sem que se tenha resolvido nenhum dos problemas que a provocaram. A mesma pesquisa do Datafolha acima citada também apurou que 56% dos moradores do Rio apoiam as manifestações, o que foi o menor índice de apoio aos protestos medido pelo instituto. Apesar da vontade de pressionar os políticos e tentar melhorar o Brasil, as pessoas não querem mais violência e destruição de sua cidade, não querem mais atos de vandalismo como os que vêm ocorrendo ultimamente. Na verdade, o povo não aguenta mais isso.

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