A copa do mundo é nossa


A copa do mundo é nossa. Ela está de volta ao Brasil após 64 anos, trazendo, além da chance da seleção se redimir do Maracanazo e ser campeã em casa, muita controvérsia. Desde que começaram as manifestações em junho passado, a copa do mundo no Brasil é tema constante de protestos, sobretudo pelos gastos com os estádios. Muitos consideram um absurdo gastar milhões para construir ou deixar estádios antigos nos padrões internacionais, quando muitos hospitais e escolas públicas estão em um nível muito abaixo do aceitável.

Neste ponto, concordo com os protestos. É incompreensível o Brasil gastar bilhões com a copa do mundo de futebol enquanto carece do básico. O país não tem nem educação, nem saúde pública decente, não tem infraestrutura suficiente, seja para o crescimento econômico da nação, seja para qualidade de vida das pessoas que vivem nos grandes centros urbanos e a segurança nas principais cidades brasileiras é mínima. Portanto, as prioridades deveriam ser saúde, educação, segurança e infraestrutura e não o mundial de seleções futebolísticas. As reclamações realizadas nos protestos públicos são bastante coerentes e merecem nossa reflexão.

No entanto, discordo totalmente do momento que estes protestos são feitos. Quando o Brasil lançou sua candidatura para sediar a copa do mundo, ninguém, ou quase ninguém, protestou e ali era o momento adequado. Se houvesse manifestação significante naquela época, possivelmente, nosso país abriria mão da candidatura ou não seria escolhido para sediar o mundial. Mas não houve este tipo de protesto enquanto o dinheiro ainda não tinha sido gasto. Somente agora, com os gastos de bilhões já efetuados, ou seja, quando Inês já é morta, é que os protestos ganharam força. Na pior hora possível, porque, além do dinheiro já ter sido gasto, o momento é do país recuperar o valor investido ou pelo menos uma parte dele. A copa do mundo e a legião de estrangeiros que vão passar pelo Brasil durante o evento devem deixar uma quantia considerável de dinheiro em terras tupiniquins. Isso, se algumas pessoas não atrapalharem, protestando totalmente fora do momento. É importante lembrar que este dinheiro recuperado poderá (deveria) ser investido em educação, saúde, segurança e infraestrutura. Este dinheiro é muito bem vindo e poderá ser utilizado para o bem estar da população.

Ou seja, as reclamações não estão equivocadas, mas o momento está. É o Brasil quem sai perdendo com o fracasso do mundial e a ausência de visitantes. Nosso país que terá prejuízos e menos dinheiro para investir nas prioridades nacionais que todos já cansam de saber. Todos deveriam torcer pelo sucesso da copa do mundo e a entrada de muitos dólares (euros, pesos e todas as outras moedas que chegarem aqui) para cobrir os gastos que já foram realizados e não querer que a copa seja um fracasso e que o Brasil sofra um enorme prejuízo.

A copa do mundo não é ruim. Um evento que envolve todo mundo, juntando nações e pessoas de todos os continentes em uma festa não pode ser ruim. Pelo contrário, é uma coisa a ser comemorada. E sediar a copa pode trazer uma série de vantagens ao país, o primeiro deles é ser vitrine mundial durante muito tempo. No entanto, acredito que, talvez, não fosse o momento da copa ser aqui, como não é o momento dos protestos agora. Depois que o Brasil melhorasse a educação e saúde pública, segurança e infraestrutura, o país estaria muito mais feliz e muito mais receptivo a sediar este gigantesco e esplêndido evento. Apesar disso, acredito que a copa do mundo será um sucesso. Aliás, torço por isso.

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