Mais dinheiro para saúde e educação

Desde dos protestos de julho do ano passado ouvimos os pedidos de mais verba para saúde e educação. Neste último mês, durante a copa do mundo, também tivemos a oportunidade de ler e ouvir pessoas reclamando que o dinheiro aplicado na copa poderia ser investido em escolas e hospitais. Entendo que nunca é demais investir nessas duas áreas, mas será que a falta de orçamento é realmente o problema do Brasil?

Acredito que não. Nosso país investe bilhões e bilhões em saúde e educação, e alguns milhões a mais talvez não surtissem nenhum efeito. A solução dessas áreas no Brasil não é simplesmente aumentar o valor investido, mas sim fazer com que esse valor seja aplicado com qualidade em seu destino final. Não adianta colocar todo o dinheiro do mundo em uma área, se parte desse dinheiro não chega ao seu destino final (corrupção) e a parte que chega não é bem alocada (incompetência). Então, os principais problemas que atrapalham a melhora da saúde e da educação no Brasil são a corrupção e a incompetência (má gestão do dinheiro) e nem tanto a quantidade de dinheiro que sai dos cofres públicos.

A corrupção, já tão conhecida nossa e bastante arraigada na cultura brasileira conforme descrito no texto “o brasileiro e a corrupção”, faz com que somente um percentual do dinheiro que deveria ser aplicado na saúde e na educação chegue de fato ao seu destino. Como bem sabemos, o orçamento destas duas áreas em questão, devido a nossa enorme burocracia, pode passar por inúmeros intermediários antes do destino final (secretarias, entes federativos, órgãos públicos, etc.). E, neste caminho, alguns se aproveitam para tirar sua comissão e abocanhar uma parte deste valor, fazendo com que só um percentual do dinheiro chegue a escolas, hospitais ou a outro lugar que deveria chegar.

Já no que tange a incompetência, a parte do dinheiro que chega ao destino final não é investida como deveria ser. Gaste-se muito com coisas pouco úteis, enquanto falta o principal. Por exemplo, um hospital pode ter um aparelho de última geração para fazer um exame que é necessário em casos raros ali, mas não tem gaze para fazer um curativo. Ou uma escola que tem um computador de última geração (extremamente caro e subtilizado) enquanto faltam cadeiras para os alunos sentarem. Isso acontece porque as pessoas responsáveis pela aplicação do dinheiro público não são escolhidas por competência em sua área de atuação, mas sim por partidarismo, apadrinhamento ou troca de favores. Não existe meritocracia e a pessoa encarregada do trabalho muitas vezes não tem o mínimo do conhecimento necessário para isso, o que resulta em escolhas não tão boas e desperdício do dinheiro público.

Portanto, para melhorar hospitais e escolas, não adianta simplesmente aumentar o orçamento da saúde e educação, como o povo quer, pede e os governantes até atendem volta e meia. É necessário alterar todo o sistema de funcionamento da aplicação deste dinheiro, diminuindo a corrupção e a incompetência. Para diminuir a primeira, é preciso investigar os casos existentes e punir os culpados, além de uma mudança cultural de todo povo brasileiro. No caso da segunda, deveria ser extinto o cabide de empregos na politica brasileira, a colocação de pessoas desqualificadas tecnicamente em cargos chaves da administração pública. Para que o dinheiro seja bem aplicado, é preciso uma gestão de qualidade e dificilmente se conseguirá isso quando o responsável por esta gestão está lá por algum tipo de apadrinhamento ou favor político e não por ter demonstrado um trabalho competente ao longo da carreira.

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