O fim da copa e o retorno à realidade

A copa mal acabou e já deixa muita saudade nas pessoas que viveram de perto este grande evento. Muitos já sentem falta dos jogos, da emoção, dos milhares de torcedores e jornalistas do mundo todo e até das brincadeiras e provocações entre os rivais brasileiros e argentinos. A copa não terminou muito bem para o futebol brasileiro que tomou duas sonoras goleadas em seus últimos jogos, mas terminou bem para o Brasil que mostrou que tem totais condições de organizar qualquer grande evento.

A festa proporcionada pelo povo brasileiro não teve igual na história e a organização da copa também não deixou nada a desejar. Felizmente, tive o prazer de acompanhar de perto esta copa, indo a estádios e “fan fest”, vendo de perto toda organização do evento. Cidades extremamente policiadas, passando a todos uma grande sensação de segurança, e transportes públicos funcionando bem. A copa foi um sucesso, apesar de nem todos estarem felizes com isso.

Existe, desde que acompanho copas, um pensamento de que quando a seleção vai bem, ajuda a eleição dos governistas e quando não vai tão bem, atrapalha. Vi muitos comentários a este respeito e não concordo. A copa e a seleção brasileira não interferem (nem nunca interferiram) muito nas eleições e utilizo a história recente para mostrar isso. Em 1998, o Brasil perdeu de goleada e de maneira vergonhosa a copa e alguns meses depois, os governistas foram eleitos e continuaram no governo. Já em 2002, a seleção ganhou a copa, foi pentacampeã, isso ajudou os governistas? Não, perderam a eleição e deixaram o governo para a oposição. Em 2006 e 2010, o Brasil foi eliminado nas quartas de final e nas duas vezes o governo continuou governo sem muitos sustos. Como visto, apesar das eleições serem sempre alguns meses após a alegria ou decepção de uma copa, esta não influi em seu resultado, ao contrário do que se diz por ai.

E desta vez, não será diferente. O sucesso da copa (ou o fracasso da seleção) não irá determinar os vencedores das eleições. Aliás, como deve ser. O voto deve ser dado ao político capaz de fazer bem a sociedade, melhorar infraestrutura, saúde, educação, mobilidade urbana, etc. E não ao político que, por coincidência, estava no poder em uma copa em que o Brasil ganhou.

O povo brasileiro mostrou ao mundo que sabe fazer uma grande festa, que sabe recepcionar a todos como ninguém. Agora está na hora de mostrar que sabe definir seus rumos e escolher seus representantes. Depois de um grande evento festivo, haverá outro grande evento no país, muito mais sério para a vida das pessoas, as eleições. Essa é hora do brasileiro mostrar que não sabe só fazer festa, mas sabe também lidar com coisas importantes. Mostrar que sabe que deve estudar bem seus candidatos para escolher o melhor preparado e, se ele estiver envolvido com corrupção, não votar nele. Mostrar que sabe que começa na vida particular de cada um e no voto o fim da corrupção. Mostrar a todos que, daqui para frente no Brasil, haverá tolerância zero com corruptos. Em resumo, mostrar que pode realizar um voto consciente.

Um dos passos principais do Brasil rumo ao desenvolvimento é o voto consciente. Parar de eleger corruptos notórios é muito importante para evolução de nossa sociedade. E para isso acontecer, é necessário empenho de todos, conhecer um pouco de política, estudar os candidatos e não votar, em hipótese alguma, em qualquer candidato que tiver envolvimento com corrupção. Será muito difícil o desenvolvimento da nossa sociedade enquanto muitos brasileiros continuarem votando em fulano porque é bonitinho ou beltrano porque “rouba, mas faz” ou, ainda, em troca de dinheiro, comida ou o que quer que seja. Um dos maiores progressos do país seria erradicar de uma vez por todas estes tipos de voto e se tornar uma nação consciente de quem elege para o seu governo. Quando isso acontecer, tanto a cobrança por melhorias como a troca de políticos corruptos ou incompetentes será normal e corriqueira.

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