A história das eleições no Brasil

A primeira eleição que se tem conhecimento no Brasil aconteceu no ano de 1532, para formação do Conselho (equivalente a Câmara de Vereadores atual) da cidade de São Vicente. A eleição era indireta e acontecia em dois graus. No primeiro, o povo escolhia os nobres que elegeriam os membros do Conselho e no segundo grau, os nobres escolhidos elegiam os conselheiros (vereadores), que deviam ser nobres também.
Este modelo perdurou por cerca de 300 anos e foi alterado na eleição de deputados brasileiros para as Cortes de Lisboa, quando o Brasil já era parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O rei D. João VI convocou o povo brasileiro para participar de eleições gerais neste pleito. Esta eleição foi baseada na constituição espanhola de 1812 e, apesar de diferente do modelo anterior, era uma eleição também indireta. Após a independência e durante o império, o voto era obrigatório e censitário. A eleição continuou indireta e, a princípio, com quatro graus (o eleitor primário elegia outro eleitor que iria eleger outro eleitor e assim por quatro graus de eleição até se chegar à eleição de um deputado em si, por exemplo), depois passando para apenas dois graus como nas primeiras eleições do país. Durante este período, apenas 1,5% da população tinha capacidade de votar, ficando de fora assalariados em geral, mulheres, soldados, escravos, etc.

As regras eleitorais foram se modificando ao longo do tempo (o voto passou a ser direto, por exemplo), mas nem a Proclamação da República em 1889 acabou com o voto censitário. Somente na década de 30, na era Vargas, com a criação da Justiça e do Código Eleitoral e uma série de alterações no sistema de votação (como o voto secreto, sistema proporcional, etc.) as mulheres puderam votar no Brasil, garantindo uma democracia mais justa ao país. No entanto, por muito pouco tempo, já que, nesta mesma década de 30, a ditadura de Vargas fez retroceder todo o sistema eleitoral do país, acabando, por exemplo, com a eleição direta para presidente.

Somente após o fim do Estado Novo em 1945, as eleições diretas para todos os cargos do executivo e legislativo passaram a ocorrer. Mas, também somente por um período, uma vez que em 1964, outra ditadura, desta vez militar, fez o sistema pátrio retroceder novamente, transformando em eleições indiretas os pleitos para presidente e governador.

Com o fim da ditadura militar e a promulgação da Constituição Federal de 1988, o sistema eleitoral voltou a ser direto para todos os cargos do executivo e legislativo, com voto obrigatório a todos os brasileiros maiores de 18 anos e menores de 70 anos e facultativo para analfabetos, maiores de 16 e menores de 18 anos e maiores de 70 anos. Com isso, o Brasil se tornou novamente uma nação democrática. Mas, para o país continuar evoluindo seu sistema eleitoral e, consequentemente, sua democracia, o próximo passo deveria ser o voto facultativo para todos, como na maioria das democracias mundo afora e, não custa sonhar, o fim da reeleição para todos os cargos do executivo e legislativo, com o fim da profissão de político. 

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