Zumbi dos Palmares

No dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, é comemorado o dia da consciência negra, uma vez que, como líder de milhares de ex-escravos que fugiam de seus senhores, ele lutou contra escravidão e pela preservação da cultura africana. Zumbi foi a principal figura histórica da resistência negra contra a escravidão no período colonial e se tornou um símbolo da luta pela liberdade.

A história tanto de Zumbi quanto de Palmares é cercada de incertezas, mas as principais teorias contam que por volta do ano de 1600, escravos fugidos de engenhos de açúcar fundam o quilombo de Palmares, na Capitania de Pernambuco, onde hoje seriam pedaços dos estados de Pernambuco e Alagoas. Com as invasões holandesas no nordeste a partir de 1624, houve uma grande desorganização de toda a região, o que possibilitou muitas fugas de escravos e um enorme crescimento de Palmares, que, segundo alguns, chegou a ter mais de 30 mil habitantes espalhados por 11 mocambos (cidades cercadas com paliçadas de madeira para defesa).
Com este grande crescimento, principalmente entre 1630 e 1650, Palmares se tornou mais que um quilombo ou uma cidade, virou uma espécie de reino com suas próprias leis e território. Segundo alguns relatos, Zumbi era sobrinho de Ganga Zumba  (rei de Palmares) e comandava um dos mocambos espalhados pelo vasto território controlado por seu tio. Ganga Zumba e seu sobrinho teriam origens nobres, descendentes de reis na África, sendo o primeiro filho da princesa Aqualtune (filha do rei do Congo capturada em uma guerra por Portugal) e o segundo neto dela. Além de ser sobrinho do chefe local, Zumbi desde muito novo mostrou-se um grande guerreiro, atuando na defesa de Palmares contra invasões portuguesas, o que lhe rendeu uma natural liderança sobre o povo.

Em 1678, cansado de uma guerra interminável com o quilombo e do enorme prejuízo financeiro causado por ela, o Governador da Capitania de Pernambuco oferece um acordo a Palmares, onde todos os habitantes da região seriam livres (todos seriam alforriados) em troca da submissão às leis portuguesas e ao rei. Zumba aceitou o acordo, mas Zumbi não. Ele não aceitava seguir outras leis, crenças ou cultura que não fossem as suas. Então, com a morte, por envenenamento, de seu tio Zumba, ele se torna líder de Palmares e passa a comandar a resistência contra as tropas portuguesas.

Depois de várias vitórias de Zumbi sobre estas tropas, em 1694, é lançado um grande ataque a Palmares e, apesar de enorme resistência, o exército português se saiu vitorioso, conquistando a principal cidade e capital da região. Zumbi conseguiu fugir, mas foi preso e morto em 20 de novembro de 1695, quando teve sua cabeça cortada e levada a Recife, onde foi colocada em local público para exibição, com intuito de mostrar a todos que Zumbi não era imortal, como a lenda da época sugeria, e que a Coroa Portuguesa não podia ser desafiada. 

Um comentário:

  1. Tive o prazer de conhecer Palmares.
    A cidade e a região quilombola.
    É maravilhoso reencontrar as origens.
    Valeu Zumbi!

    ResponderExcluir