As dificuldades do segundo mandato

A presidente Dilma foi reeleita para um segundo mandato como Presidente da República, mostrando que a maioria da população aprovou seu governo até agora. No entanto, este segundo mandato parece que será muito mais complicado do que foi o primeiro ou qualquer outro mandato de seu partido, incluindo o primeiro do Presidente Lula.

Para começar, a economia brasileira não anda bem das pernas. Com inflação alta, crescimento quase nulo e investidores cada vez mais distantes do país, o Brasil pode passar por uma crise mais forte nos próximos anos. O lado bom é que a Presidente, pelo que parece pela nomeação do novo ministro da fazenda, percebeu que a política econômica do primeiro mandato estava equivocada e decidiu fazer uma grande mudança. O novo ministro é partidário das ideias (na parte econômica) expostas pelo candidato de oposição nas eleições e se manifestou contra a política econômica do governo algumas vezes, o que demonstra que o governo quer mudanças nesta área.
O governo quer fazer as pazes com o mercado, adotar políticas que façam o país crescer e a inflação cair. No entanto, os erros cometidos no passado não sairão de graça. Para colocar o país nos eixos, o governo já está subindo os juros e precisará fazer muitos cortes em seus investimentos. E ai está o que pode ser uma das maiores dificuldades do próximo mandato, cortar custos sem alterar os benefícios sociais. O novo ministro com certeza desejará cortar o máximo de custos que puder para colocar o país no caminho correto o mais rápido possível e a Presidente terá que domar seus cortes para não afetarem os benefícios sociais, o que atingiria em cheio sua base eleitoral. Mas, terá que fazer isso sem atrapalhar o trabalho da nova equipe econômica, pois, caso contrário, pode aumentar ainda mais a crise.

Além disso, a oposição, apesar da derrota, saiu bastante fortalecida das eleições com o voto de quase a metade dos eleitores. Pela primeira vez desde 2002, a oposição se sente legitimada e com apoio popular para lutar contra o governo, ou seja, será o primeiro governo do PT que poderá sofrer com uma oposição forte. Isto já começa a ficar demonstrado na votação da alteração das metas do superávit, uma vez que mesmo com enorme maioria no Congresso, o governo teve alguma dificuldade para conseguir sua aprovação.

Outra coisa interessante é que o líder da oposição também saiu mais forte do que entrou nas eleições, apesar de ter sido derrotado, e pode se tornar uma verdadeira pedra no sapato do governo. Como perdeu também o governo de seu estado (Minas Gerais) para o partido do governo, se vê completamente livre para fazer uma dura oposição às políticas que considera equivocadas da Presidente. Se o governador eleito de Minas fosse o candidato de Aécio, ele teria que maneirar na oposição, pois todo o governo de estado necessita do governo federal e ele não poderia deixar um governo de seu partido em seu estado sem esta ajuda, sob pena de grande perda política. Mas como perdeu o governo de Minas, o líder da oposição está liberado para criticar duramente o governo no que achar necessário, sem ter que pensar em eventuais retaliações.

Portanto, com uma crise econômica e uma oposição bem mais forte, o segundo mandato da presidente Dilma parece que será bem mais difícil que o primeiro. Até porque, mesmo que a economia seja colocada nos trilhos, levará algum tempo para os resultados aparecerem, o que dará mais força para oposição e colocará mais pressão no governo, que terá que enfrentar esta pressão, a crise e a oposição sem cortar benefícios sociais ou deixar o desemprego subir muito.

Um comentário:

  1. Para a Democracia, ainda que capenga no momento, é ótimo. Essa forma de governar fazendo "alianças" não acrescenta em nada. E o motivo da inflação não é excesso de demanda e sim falta de oferta, simplesmente porque, com exceção de alguns setores onde temos grandes vantagens comparativas (aquelas que existem por si só e os políticos não conseguem atrapalhar) não compensa investir no País, um lugar extremamente agressivo ao investimento e com baixíssima competitividade, como mostram estudos internacionais.

    Terão que mudar, a questão será: quantos impostos serão aumentos ou ressuscitados?

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