39 Ministérios

Quantos ministérios você acha que deveria sustentar? O Brasil tem incríveis 39 ministérios, a maioria deles muita gente sequer sabe do que se trata. São três ou quatro ministros para cuidar de um assunto bastante semelhante, que um só ministério poderia dar conta, provavelmente de forma mais eficiente. Só comparando, nos Estados Unidos são 15 ministérios, na Alemanha são 14 e na Itália 18. Estes exemplos provam que é possível trabalhar com eficiência e um número menor de ministérios, fazendo uma maior economia do dinheiro público.

Isto porque cada ministério criado tem um orçamento próprio, tem cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões, tem assessores, assistentes e mais outros funcionários, precisam de espaço físico, ou seja, escritórios e prédios e por aí continuam os gastos do dinheiro público. Além disso, é muito mais fácil (e necessita muito menos gente, mais economia) controlar e investigar 14 ou 15 ministérios do que 39, por exemplo, aumentando a corrupção ou, no mínimo, dificultando a investigação de eventuais casos de corrupção.
O que é considerado por alguns como a origem do problema, é a troca de ministérios por apoio parlamentar. Ou seja, nesta hipótese, o número de ministérios aumentaria, muitas vezes, não exclusivamente por necessidade técnica. Por exemplo, para garantir maioria no congresso, garantir apoio de vários partidos, o governo poderia criar e entregar ministérios a partidos aliados, o famoso “toma lá, dá cá”. O partido agraciado ganharia o controle das verbas deste ministério, além de inúmeros cargos públicos para colocar seus políticos e apadrinhados e em troca faria parte da base do governo. Com isso se tornaria muito interessante criar um partido, pois este novo partido poderia dar seu apoio ao governo e poderia ganhar verbas, cargos e poder em troca. Mas, como os ministérios, por maior quantidade que existam, são finitos, é necessário a criação de mais ministérios para saciar a todos. Os ministérios, nesta situação, seriam criados para alocar aliados e não porque seriam necessários tecnicamente ou para o bem geral e gerariam um gasto desnecessário para o povo pagar.

É importante lembrar que este problema (número excessivo de ministérios) não é exclusivo da presidente atual ou do seu partido. O Brasil já vem com um número além do necessário e sempre crescente há muitos anos. No entanto, o problema está se agravando e o número de ministérios continua crescendo ano após ano sem qualquer melhora de eficiência da máquina pública, só com o aumento de gastos.

A diminuição do número de ministérios poderia melhorar a eficiência da administração pública (mantendo pastas semelhantes em um único ministério se criaria uma maior sincronia entre projetos, melhor direcionamento de gastos e pessoal e um melhor planejamento da área), diminuir a corrupção (com um controle melhor, a tendência seria a diminuição da corrupção) e evitar gastos públicos desnecessários (pessoal, espaço físico, etc).

Um comentário:

  1. O empresário Jorge Gerdau Johanpeter, presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade é um dos maiores críticos da estrutura gigante do governo federal. Em 2002. eram 24 pastas, em relação aos países citados na matéria já era um exagero.

    O aumento da máquina pública é decorrência da maneira como se faz política no país, em que os aliados são atraídos por cargos no governo.
    A cada escândalo o governante é obrigado a ampliar sua base de apoio no Congresso, Lula fez isso após o mensalão.
    Pelo visto nós, povo, achamos que é um exagero, mas no governo Dilma, chegou-se a analisar, inclusive, a criação do Ministério da Irrigação, mais um!

    O número de ministérios é exagerado ao extremo, e sem necessidade. A necessidade é melhorar a eficiência da máquina pública. A constatação é do cientista político Valdir Alexandre Pucci, professor do Centro Universitário do Distrito Federal.

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