Punir um para não ter que punir muitos

Nos últimos dias, o Rio de Janeiro e o Brasil veem estupefatos a onda de violência que está assolando a cidade maravilhosa. O caso mais marcante foi o do médico que foi assassinado a facadas por menores de idade para que sua bicicleta fosse roubada. Um caso tão bárbaro que trouxe a tona, com os nervos mais exasperados do que nunca, a velha discussão da redução da maioridade penal. O assunto é bastante polêmico e encontra muitos defensores dos dois lados, mas quase todos eles com argumentos focados em uma visão micro da situação (ora na vitima, ora no criminoso) e não em uma visão macro, na sociedade em geral.
Nossa sociedade pode ser dividida em três grupos: os que nunca irão cometer um crime não importam as condições (minoria), os que sempre irão cometer crimes não importam as condições (também minoria) e os que podem ou não cometer crimes a depender das condições (maioria). Algumas pessoas jamais cometerão um crime, mesmo tendo todas as condições para isso, outras cometerão crimes mesmo sem nenhuma condição para que isto aconteça. Mas a grande maioria só entrará para vida do crime com condições muito favoráveis para isso. E a condição mais favorável para se produzir criminosos é a sensação, ou pior, a certeza de impunidade.

Quando a sociedade deixa de punir um rapaz de 16 ou 17 anos por um latrocínio, que não havia a menor necessidade de ser realizado, um dos crimes mais bárbaros que pode existir, esta mesma sociedade manda uma mensagem clara para todos os jovens de 16 ou 17 anos que estão no segundo grupo (podem ou não cometer um crime): Você não será punido se entrar para vida do crime. E a consequência disso é o aumento do número de jovens que cometem crimes. E cada novo crime sem punição coloca mais “n” pessoas na delinquência, ocasionando também mais “n” vítimas que poderiam ser evitadas.

Assim é criado um círculo vicioso onde cada crime faz crescer o numero de criminosos, que, por sua vez, faz crescer o número de vítimas. Com isso, a violência cresce de maneira desesperadora e as pessoas se sentem cada vez mais inseguras e acuadas, o que dá origem a linchamentos, grupos de extermínio, etc. Ou seja, a violência passa a sair de todos os lados e a crescer de maneira incontrolável, fazendo toda a sociedade se tornar vítima. Ao não punir um criminoso, a sociedade acaba punindo todos os jovens que entram no mundo do crime em razão desta impunidade e pune também todas as vítimas que eles irão fazer.

Ao contrário do que muitos querem, nossa sociedade, infelizmente, não está preparada para deixar de punir criminosos, tenham eles 16 ou 19 anos, ela não pode se dar ao luxo de não aplicar sanções a esses criminosos, simplesmente porque não é evoluída o suficiente para isso. Quem sabe no futuro (distante ainda) nossa sociedade evolua a ponto de ter pouquíssimos criminosos e de não precisar punir (pelo menos da maneira tradicional) os poucos que existam, uma vez que isso não criará mais crimes e injustiças. Ainda falta muito para isso, mas é possível chegar lá e o caminho existe: educação universal e de qualidade. No entanto, a verdade para nossa sociedade, esta em que vivemos atualmente, é que sem punir os criminosos e diminuir a violência, será quase impossível trilhar o caminho da paz e ter qualquer tipo de evolução.

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