Menor abandonado

Atualmente, andando nas grandes cidades brasileiras, é impressionante a quantidade de crianças e adolescentes abandonados à sua própria sorte, vagando pelas ruas e, muitas vezes, cometendo crimes. O maior de idade não pode ser internado contra sua vontade, pois todos têm o direito constitucional de ir e vir, mas o menor deveria sim ser recolhido, mesmo que não estivesse praticando qualquer crime, uma vez que é incapaz e é dever dos pais, do Estado e da sociedade cuidar deles. Se os pais não podem (ou não querem) cuidar, o Estado deve assumir esta obrigação.

Mas, este menor abandonado, que não foi condenado por qualquer crime, não poderia ser recolhido às instituições que existem hoje em dia, verdadeiros presídios juvenis, ele deveria ser internado em uma verdadeira escola, um instituto totalmente voltado para educação destas crianças e adolescentes. Na instituição ideal, os menores teriam ensino regular e de qualidade pela manhã. No período da tarde, os menores de 14 anos teriam atividades artísticas, esportivas e de complementação acadêmica e os maiores ensino profissionalizante.

No plano ideal ainda, o governo deveria firmar convênios com empresas privadas (até mesmo com algum tipo de isenção de imposto) para que elas ajudassem com os cursos profissionalizantes e absorvessem os jovens, quando saíssem do internato, no mercado de trabalho. Ou seja, quando fizesse 18 anos, o jovem sairia do internato com educação e uma profissão, ele estaria empregado e com condições de seguir sua vida sozinho e com dignidade.

Aqui não estamos falando do menor infrator e sim do abandonado, então, nos finais de semana, após a aula de sábado de manhã e o almoço, a família do menor (que existe, mas por algum motivo não tinha condições de criá-lo) poderia levar seu filho, neto, sobrinho para interação familiar, devolvendo à criança ou adolescente para a instituição (uma espécie de colégio interno) domingo à noite. Os menores que não tivessem família teriam atividades de lazer, esportes e passeios no fim de semana.

Com isso, seriam alcançados dois objetivos: primeiro, não existiriam mais pivetes e trombadinhas nas ruas, seriam todos recolhidos a estas instituições; segundo, quando saísse do instituto, esta pessoa, com educação e profissão, teria muito menos chance de entrar no mundo do crime do que se continuasse abandonado nas ruas, sujeito à influência de drogas e bandidos, ou seja, menos criminosos em potencial. Uma pena que, na atualidade, este tipo de instituição ainda seja utopia no Brasil, mas como diz um velho samba-enredo: sonhar não custa nada. 

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