Ajuste fiscal

Ninguém gosta de cortar despesas, ter que deixar de fazer alguma coisa que você gosta, ou até precisa, sempre é desagradável. Mas, às vezes, é necessário. Se você não consegue pagar suas contas, tem que cortar algo para conseguir equilibrar suas finanças. A mesma coisa acontece no governo federal. Todo mundo gostaria de pagar bem aos aposentados, de aumentar financiamentos universitários e muitas outras coisas que poderiam ajudar nossa sociedade, mas, quando falta o dinheiro é melhor deixar de dar um passo à frente do que dar vários para trás.
Não adianta dar um aumento aos aposentados e este aumento ser corroído por uma inflação alta (ou porque a inflação não é oficial ou porque o reajuste não é tempestivo), sobrando, após algum tempo, uma remuneração com valor real menor do que antes do aumento. Ou financiar o estudo universitário para pessoas viverem em uma sociedade com um nível altíssimo de desemprego. Com o país em crise, todos são prejudicados, até mesmo os que parecem ser beneficiados a princípio. 

O governo percebendo este caminho errado que o país estava percorrendo, tardiamente é verdade, chamou o Ministro Joaquim Levy para comandar a Fazenda, uma pessoa capacitada para colocar o país novamente nos trilhos. O problema é que o governo só fez isso e não todo o necessário para fazer o ajuste que o Brasil precisa.

A solução para o problema brasileiro é muito maior e necessita de muito mais do que uma pessoa certa em um lugar certo. Como diria o velho ditado: “uma andorinha só não faz verão”. Por mais competente que seja Joaquim Levy, sem ajuda ele não conseguirá muito. Por isso, o governo deveria apoiar incondicionalmente o trabalho do Ministro, coordenando com o legislativo a aprovação dos cortes e fazendo tudo o que fosse necessário para o ajuste funcionar. E não simplesmente deixar o Levy “se virar nos 30”, como está acontecendo. Aliás, o executivo deveria, antes de mais nada, ter cortado metade dos ministérios existentes. Ah, isto não traz economia significativa, diriam os governistas. Não importa. O fato de o governo cortar na própria carne daria o exemplo que deve ser dado a todos, que o ajuste é necessário, e isso é mais importante que a economia feita com estes cortes.

Mas, não é só do executivo que está faltando apoio. O legislativo está prejudicando bastante qualquer tentativa de colocar o país nos eixos. No estilo do quanto pior, melhor e tentando se desvincular de um governo impopular, o Congresso não aprova os cortes e, ainda, cria mais gastos para o Estado. Tentando prejudicar um governo, os nossos parlamentares estão prejudicando um país inteiro e colaborando para uma recessão com mais inflação e menos empregos.

Nossos políticos, em todos os poderes, são bastante populistas e adoram dar benesses com dinheiro que não é deles. Mas, na hora de ser responsável e cortar essas benesses, ninguém quer fazer, para não ter sua imagem arranhada perante uma parte da população, mesmo que o corte seja necessário e para o bem de todo o povo. Por essas e por outras é que a situação do Brasil está bem complicada e o país caminha para uma longa recessão, que trará desemprego e pode vir com uma inflação descontrolada. Para tentar mudar este destino, o executivo e o legislativo deveriam esquecer as desavenças políticas quando o assunto for o ajuste fiscal e dar total apoio ao Ministro da Fazenda. Colocar o Brasil nos trilhos deveria ser prioridade de todos.

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