Financiamento empresarial é bom ou ruim?

Nem um nem outro. No entanto, inúmeras pessoas comemoram nas redes sociais a proibição do financiamento empresarial para as campanhas políticas, argumentando que isso diminuiria a corrupção. Parece aquela velha história do marido que flagra a esposa com o amante no sofá e para resolver o problema vende o sofá. E pior, o sofá que foi colocado lá justamente para evitar a traição.

Até 1992 o financiamento empresarial de campanhas era proibido, mas, no decorrer da CPI que culminou com o impeachment do ex-Presidente Collor, se verificou uma série de irregularidades nas campanhas eleitorais, o famoso “caixa 2”, dinheiro por baixo dos panos que alimentavam as contas de políticos. E qual foi uma das soluções adotadas? Tornar transparente o negócio. Permitir que as empresas fizessem doações e que fosse tudo registrado preto no branco. Com esta legalização, a sociedade poderia saber quanto cada político ganhou de cada empresa e, assim, fiscalizar o governante quando esta empresa fosse muito beneficiada em seu governo.
Com o fim do financiamento empresarial, parece que tudo vai voltar a ser como antes, as contribuições passarão a ser novamente por debaixo do pano, sem qualquer registro, como qualquer corrupto gosta, pois, impossibilita a fiscalização da sociedade e dificulta a investigação das autoridades competentes. É muito mais fácil investigar um dinheiro proveniente de corrupção registrado na campanha do que o recebido em “cash” em uma mala preta, quase irrastreável.

Além disso, mesmo que o mundo fosse perfeito, todos fossem honestos e não fizessem nada por baixo dos panos, de onde sairia o dinheiro para as campanhas políticas? Não acredito que alguém seja ingênuo o suficiente para acreditar que os políticos irão diminuir seus gastos para serem eleitos. É bastante provável que este dinheiro saia dos cofres públicos, ou seja, quem irá pagar a conta, como sempre, será o corno, o povo brasileiro. Serão todos, através de impostos, que irão sustentar (já sustentam, mas agora este sustento tende a aumentar) a estrutura partidária e as campanhas eleitorais. Sinceramente não quero meu dinheiro sustentando partido e políticos e acredito que você, leitor, também não queira isso.

Com o Brasil praticamente quebrado, com déficit em seu orçamento, como o governo poderá financiar campanhas políticas? Tirando dinheiro da saúde, educação, segurança ou outra área ou aumentando impostos. Não tem jeito, dinheiro não nasce em árvore e o governo só possui aquele que tira do povo.


Ah, mas as empresas quando doam dinheiro para campanha esperam algo em troca. Pode ser. Mas a pessoa física quando doa também não pode esperar algo em troca? O empresário, pessoa física, não pode doar e esperar algo em troca para sua empresa? Esperar algo em troca não é o problema, o problema é receber algo em troca. Para evitar isso, a solução é deixar tudo o mais transparente possível, fiscalizar, investigar e punir os culpados (empresas, diretores e políticos) e não simplesmente jogar fora o sofá. 

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