Quem defende bandido oprime o pobre

Sim, isso mesmo. Quem defende bandido oprime o pobre. Ao contrário do que muita gente diz, nos arrastões na zona sul do Rio, os pobres não estão roubando os ricos (o que também seria errado e crime), quem está roubando é bandido e tira o pouco que o pobre tem (as pessoas mais pobres são a maioria a ser roubada/furtada). Ou alguém acredita que um banqueiro ou familiar estava sendo agredido e roubado no último arrastão? Os ricos vão à praia em Saint-Tropez ou em sua praia/ilha privada em Angra. Até mesmo a classe média, quando percebe a insegurança, vai para a Região dos Lagos, Angra, para piscina do clube ou da casa/condomínio. Quem mais sofre com esses arrastões e com a violência em geral são os pobres que não tem dinheiro para viajar, ser sócio de clube, etc.
É a pessoa com menos condições financeiras que é mais atingida por esta violência, é ela que tem que ir à praia de transporte público, tendo que se utilizar, muitas vezes, de 2 ou 3 conduções para chegar lá (e já sendo assaltada e agredida neste caminho), é ela que trabalha e com muito esforço e suor compra seu celular, que é roubado nestes arrastões. Só para exemplificar, a pessoa que teve o celular furtado na foto que circulou bastante nas redes sociais (flagrante do furto) é moradora da Baixada Fluminense, foi à praia de transporte público, trabalha de segunda à sábado, ganha menos de mil reais por mês e para conseguir comprar seu celular, teve que parcelar em dez vezes. E quem a sociedade defende nestes casos? Os bandidos ou o cidadão de bem?

Por incrível que pareça, uma parcela da sociedade, incluindo alguns políticos, preferem defender quem comete crimes. Mais incrível ainda, que essas pessoas, que defendem quem viola a lei, tem uma boa ou ótima situação econômica. Ou seja, defendem quem comete crimes porque não são os maiores prejudicados por isso. É mais fácil defender quem faz arrastão e espalha caos e violência quando não se pega o ônibus junto com eles para ir à praia, quando se tem uma piscina à disposição e não tem como única possibilidade de lazer a praia, quando se pode viajar para o exterior e se divertir por lá (alguns desses viajam até de primeira classe) e quando se vive em uma confortável casa ou apartamento com certa segurança e não em uma área de grande violência. Quem ta sofrendo horrores não é ele, quem é assaltado semanalmente, agredido e tem o pouco que possui surrupiado não é ele, quem não tem mais lugar para se divertir em sua folga não é ele. Esse pessoal deveria viver, por um mês que fosse, a vida de um cidadão que não tem boas condições financeiras e tem que passar, cotidianamente, por toda violência provocada pelos bandidos que são sempre defendidos por eles.

Este cidadão pobre, mas de bem, que trabalha de sol a sol, ganha pouco, tem uma série de dificuldades na vida, é que precisa ser defendido, mas, agora não tem nem mais uma de suas poucas possibilidades de diversão: a praia. Ou arrisca ser agredido e roubado ou não vai. Algumas pessoas dizem que a “elite” (quem seria a elite neste caso?) não quer que o pobre vá à praia, ao que parece é esse pessoal que defende bandido que não quer o pobre na praia, já que a imensa maioria das pessoas com poucas condições financeiras são de bem, honradas e trabalhadoras e não querem ser agredidas e roubadas em seus dias de folga.

Um comentário:

  1. Em seus poucos dias de folga, por sinal. Muito bom o texto e o blog. Parabéns pela argumentação. Realmente parece que o pessoal que defende esse tipo de pessoa não percebe que quem sofre com essas atitudes são as pessoas mais pobres da sociedade. Moro em um bairro ruim e em uma cidade do interior, sem policiamento decente e com escolas de dar vergonha. Mesmo assim nunca vi ninguem por aqui defender esse tipo de gente. Isso é por que quem atura eles somos nós.

    Marcos Rocha
    Blog: Ensaios de Ironia

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