Voucher educacional

O voucher educacional foi uma ideia concebida por Milton Friedman, economista americano e vencedor do prêmio Nobel em 1976. Este sistema funciona tirando do Estado um enorme aparelho de gestão da educação e dando aos pais o poder de escolher o melhor ensino para os seus filhos.
Isto é, com o voucher educacional, o Estado entregaria aos pais, que de outra maneira não pudessem arcar com a escola de seus filhos, o valor necessário para o pagamento de uma escola privada, seja por um cartão nos mesmos moldes do plano de saúde, que somente poderia ser usado para educação, seja por pagamento direto à instituição de ensino. Na prática, o voucher educacional acabaria ou diminuiria bastante com o ensino público e toda a população poderia estudar em uma escola privada.

Como todos sabem, o ensino público em nosso país, salvo raríssimas exceções, vai de mal a pior e, de um modo geral, qualquer escola privada dá melhores condições de aprendizagem que uma pública. Então, com essa opção do voucher educacional, o Estado proporcionaria uma melhor educação e melhores oportunidades de futuro a todas as crianças brasileiras, que estudariam em escolas melhores. E, tirando a gestão da educação e sua enorme burocracia das costas, o Estado muito provavelmente diminuiria seus custos, ou seja, uma educação melhor para todos e, possivelmente, mais barata.

Além disso, os pais do estudante, maiores interessados na educação do filho, teriam, com o voucher educacional, o poder de decidir o que é melhor para esse estudante. Esse poder hoje é de um burocrata para quem a criança é um simples nome em uma lista. Com o voucher educacional, os pais da criança teriam a opção de escolher uma boa escola para seu filho e se essa escola não correspondesse à expectativa, poderiam simplesmente trocar o aluno para um colégio de melhor ensino. Hoje esse tipo de escolha não existe e tanto os pais quanto os alunos ficam presos ao que o Estado escolher para a educação do estudante.

No entanto, com o voucher educacional e, consequentemente milhares de novos consumidores no mercado educacional, apareceriam inúmeras escolas para suprir essa demanda e uma enorme liberdade de escolha para a criança e seus pais, que junto com a competição entre as instituições de ensino, geraria uma melhor educação para todos.

Outro aspecto importante do voucher educacional é que com este sistema, os filhos de pessoas mais pobres estudariam com filhos de pessoas da classe média, gerando uma troca de experiência de vida muito grande e acabando com o “apartheid” que existe atualmente, onde quem pode, paga uma escola privada e quem não pode, tem que aceitar o ensino público, normalmente de pior qualidade.

Por tudo acima exposto, o sistema do voucher educacional melhoraria bastante a educação nacional, transferindo a gestão ineficiente do Estado para uma mais eficiente da iniciativa privada. Ao mesmo tempo, proporcionaria que todos os brasileiros, incluindo os mais pobres, pudessem aproveitar desta melhor gestão e educação, hoje destinadas somente aos mais ricos.  

2 comentários:

  1. Saudações,
    Infelizmente essa visão neoliberal, que tem por mera finalidade favorecer o empreendimento de empresários no ramo do ensino e não o ensino em si, não tem fundamento na prática, é apenas a tentativa do pai do liberalismo moderno de defender o lucro na iniciativa privada.
    Como diria nosso saudoso Darcy Ribeiro, a crise da educação no Brasil não e uma crise, é um projeto. Porque está diretamente relacionada com a ascensão de empresas na educação, para favorecê-las em detrimento do ensino público.
    Muitos países como o nosso já foram muito atrasados, cheios de analfabetos, mas muitos mesmo. Só que felizmente eles não têm os nossos políticos e a nossa elite egoísta, então em poucas décadas, em duas gerações, se tornaram potências econômicas e tecnológicas, graças à educação pública: China, Japão, os países nórdicos e as Coreias são os exemplos mais ululantes.
    Agora uma historinha sobre a educação no nosso país tupiniquim. Educação sempre foi coisa de elite nesse país. Os barões do café e os incipientes industriais mandavam seus filhos estudar em Coimbra e Paris. Mas a classe média podia usufruir de um sistema público de educação muito decente.
    Na segunda metade do século XX, no entanto, a pressão mundial para acabar com o analfabetismo crônico no Brasil fez o ensino se massificar. Os das classes médias já não queriam que seus filhos se misturassem com os pobres e pretos no colégio público, e levaram seus filhos pra escola particular, que acabavam de ser fundadas com o beneplácito dos nossos políticos.
    O que aconteceu?
    Os sucessivos governos desde então pararam de investir no ensino público, porque as classes médias estavam satisfeitas na rede privada e os pobres não podiam reclamar de nada, já estavam estudando, querer qualidade era um pouco demais.
    Desde então assistimos ao lobby das escolas privadas que promove a decadência de investimentos públicos no ensino, impede o país de ter uma educação pública, gratuita e de qualidade para TODOS (ricos e pobres e mais ou menos), que foi a receita do sucesso nos outros países.
    Tudo porque temos uma classe dominante burra, egoísta, tacanha, que acha que o mercado é a solução pra tudo, que prefere viver numa ilha de prosperidade cercados de ignorância por todos os lados, do que poder ver o país crescer como um todo, com educação e mão de obra qualificada.
    Só um neoliberal mesmo pode achar que dar uma bolsa estudo bancada pelo governo para enriquecer o dono de uma escola privada é melhor que investir diretamente na melhoria da combalida educação pública para todos...
    Grande abraço,
    Almir Albuquerque
    Panorâmica Social

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  2. Seria bom se o voucher educacional fosse adotado no Brasil. Ele é utilizado na Suécia, Canadá, Chile e outros e funciona bem

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